Eu precisei de um tempo, de certo espaço, pra sentir e viver. Pra abrandar a agonia e a confusão. Foi tudo muito lento, embora o tempo físico tenha sido curto. Não foi só felicidade, muito pelo contrário, foi mais infelicidade, medo e culpa do que qualquer outra coisa. Mas mesmo esbarrando em todas as razões que me fizessem recuar, dei um passo à frente. Vezes passos curtos e receosos, vezes passos largos e avassaladores como saltos. Eu dei a cara a todas as críticas, aos julgamentos, ao silêncio. Meu caráter foi posto em cheque, minha sexualidade foi posta em cheque. Eu fui posta na berlinda.
Sempre há uma linha tênue entre a razão e a emoção. Eu sempre opto pela emoção, porque é o que diz minha razão. Desculpe se burlei seus princípios, ou melhor, desculpa não. Eu não peço desculpas, não por algo que não existe culpado, e se não há culpados não tem que haver condenação. Eu, agora, só sinto muito. Mas não sinto por mim, sinto por perceber o quão frágil era o que existia entre a gente. Sinto por perceber a intolerância, a incapacidade de ouvir, simplesmente porque as coisas fugiram da sua verdade. Eu não quero ser áspera, mas tudo por causa dos seus pré-julgamentos intolerantes.
Eu até entendo que você estivesse num dos seus momentos de (des)construção, mas eu nunca te larguei sabe, eu sempre quis tá perto. Eu também estava (des)construindo. E a sua ausência, cara doeu pra valer. Mas agora eu estou bem, tá tudo tranquilo e tomara que você também esteja.
Penso em tudo isso e só consigo lembrar daquela tarde que você chegou louca, desvairada, fumando filtro de cigarro e no meio de um trago você me disse num sorriso cansado “Esse amor sem julgamento é o que me conforta.” E agora eu lhe digo “Uma pena não ter sido reciproco, uma grande pena.”
1 comentários:
Demorei tanto pra ler e com certeza faz mais sentido pra mim agora do que faria se tivesse lido antes. Parabéns.
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