domingo, 3 de julho de 2011

O poço ainda é pouco...

Eu tenho muitas portas, de entrada e de saída. Muitas gavetas. Muita coisa misturada, lixo e pérolas, numa bagunça que eu já nem sei mais identificar o que é o quê. Já perdi noites tentando pôr ordem, mas são sempre tentativas falidas. E nas tentativas de tentar ajeitar acabo me afundando e me perdendo um pouco mais no meio da desordem. Mas estou sempre revirando, remexendo, tentando arrumar, descobrindo lixos novos, pérolas que na verdade são lixos e lixos recicláveis.

Gosto dessa bagunça emocional. De ser essa coisa chata, cansativa, passional demais, entregue demais. Tudo em mim é demasiado. Eu não sei ser pouco. Eu não quero ser pouco. Mesmo quando me sinto cansada, mesmo quando me vejo sem planos, mesmo quando me arrancam os sonhos, mesmo quando meu corpo pesa e o chão se abre e eu me sinto Alice, caindo , caindo, caindo num poço que parece não ter fim, mesmo assim, eu não quero ser pouco, pouco amor, pouca alma, pouco corpo. Pouco eu.

Em baixo do poço, outro poço, outro corpo, outro poço, outro amor...

2 comentários:

ROÍDAS E CORROÍDAS disse...

Deu na minha cara

"No fundo do poço do poço do poço do poço vc descobre quê"

Adorei o trocadilho do poço

quero ser como vc

Anônimo disse...

Acho que nunca me identifiquei tanto.
Cada dia melhor.