quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Eu precisei de um tempo, de certo espaço, pra sentir e viver. Pra abrandar a agonia e a confusão. Foi tudo muito lento, embora o tempo físico tenha sido curto. Não foi só felicidade, muito pelo contrário, foi mais infelicidade, medo e culpa do que qualquer outra coisa. Mas mesmo esbarrando em todas as razões que me fizessem recuar, dei um passo à frente. Vezes passos curtos e receosos, vezes passos largos e avassaladores como saltos. Eu dei a cara a todas as críticas, aos julgamentos, ao silêncio. Meu caráter foi posto em cheque, minha sexualidade foi posta em cheque. Eu fui posta na berlinda.

Sempre há uma linha tênue entre a razão e a emoção. Eu sempre opto pela emoção, porque é o que diz minha razão. Desculpe se burlei seus princípios, ou melhor, desculpa não. Eu não peço desculpas, não por algo que não existe culpado, e se não há culpados não tem que haver condenação. Eu, agora, só sinto muito. Mas não sinto por mim, sinto por perceber o quão frágil era o que existia entre a gente. Sinto por perceber a intolerância, a incapacidade de ouvir, simplesmente porque as coisas fugiram da sua verdade. Eu não quero ser áspera, mas tudo por causa dos seus pré-julgamentos intolerantes.

Eu até entendo que você estivesse num dos seus momentos de (des)construção, mas eu nunca te larguei sabe, eu sempre quis tá perto. Eu também estava (des)construindo. E a sua ausência, cara doeu pra valer. Mas agora eu estou bem, tá tudo tranquilo e tomara que você também esteja.

Penso em tudo isso e só consigo lembrar daquela tarde que você chegou louca, desvairada, fumando filtro de cigarro e no meio de um trago você me disse num sorriso cansado “Esse amor sem julgamento é o que me conforta.” E agora eu lhe digo “Uma pena não ter sido reciproco, uma grande pena.”

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

"Ando numa felicidade doida consciente do fugaz, do frágil"
Caio. F

Eu não sei quanto tempo vai durar ou o quanto se deve. Se é ou foi um engano, um desvio no meio do caminho. Eu não sei e não tenho me importado em querer saber. Abandonei a culpa, o medo, as crises de melancolia...abandonei, pelo menos por agora, por esses dias.
O tempo? Não me importo com o tempo. O tempo não existe, o que existe, sou eu aqui, é você, o mundo e tudo a nossa volta.
Tudo, absolutamente tudo, sem ressalvas, na vida é fugaz. É tudo transitório. A própria vida é. Então não há razões pro depois, o depois é agora. Futuro e pretérito só servem pra conjugar verbos, pra remoer as memórias e frustrações de tudo que não foi e não será. O que existe é o presente, o infinito agora. O agora nunca finda.
Então pra que medo, pra que horas? Pra que pensar que amanhã talvez. Amanhã talvez não exista. Deixa o amanhã pra quando for. Agora é agora. Eu e você. Vivos.
O tempo é nosso.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Eu estou entregue as decisões alheias. Não quero ter que decidir nada, nem por mim nem por ninguém. Não quero tomar partido dos meus problemas, das minhas dores. Ando mesmo muito cansada, com preguiça de dar um passo à frente, sem saco pra decidir, pra opinar.

Eu escolhi não escolher. Tenho direito ao silêncio, depois de tanto desperdiçar minhas palavras. Eu quero me calar. Me calar pra mim e pro mundo. Me calar pra dentro. Não quero ter que discutir sobre amor, sobre relacionamentos fracassados, abandono, filosofia, politica humanismo, astrologia e o diabo. Eu quero calar. Só por cansaço e uma dose forte de preguiça.

Não vou mais dizer o que acho. Eu acho o que acharem. Eu penso o que pensarem. Eu quero o que quiserem. Quero me alienar um pouco. Ser um pouco burra. Bobinha. Fraca. Frágil e sem defesas.

Ando mesmo muito exausta. Me contradizendo ao ultimo texto...eu quero ser pouco...eu quero o fim desse poço...

O corpo pede descanso. A alma pede calma.

domingo, 3 de julho de 2011

O poço ainda é pouco...

Eu tenho muitas portas, de entrada e de saída. Muitas gavetas. Muita coisa misturada, lixo e pérolas, numa bagunça que eu já nem sei mais identificar o que é o quê. Já perdi noites tentando pôr ordem, mas são sempre tentativas falidas. E nas tentativas de tentar ajeitar acabo me afundando e me perdendo um pouco mais no meio da desordem. Mas estou sempre revirando, remexendo, tentando arrumar, descobrindo lixos novos, pérolas que na verdade são lixos e lixos recicláveis.

Gosto dessa bagunça emocional. De ser essa coisa chata, cansativa, passional demais, entregue demais. Tudo em mim é demasiado. Eu não sei ser pouco. Eu não quero ser pouco. Mesmo quando me sinto cansada, mesmo quando me vejo sem planos, mesmo quando me arrancam os sonhos, mesmo quando meu corpo pesa e o chão se abre e eu me sinto Alice, caindo , caindo, caindo num poço que parece não ter fim, mesmo assim, eu não quero ser pouco, pouco amor, pouca alma, pouco corpo. Pouco eu.

Em baixo do poço, outro poço, outro corpo, outro poço, outro amor...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

...
"Não sei se quero descansar por estar realmente cansada ou se quero descansar para desistir"

Clarice

Andei por tantos caminhos, me perdi a procura de uma porta, uma saída e sempre me deparei com outros novos caminhos, alguns mais feios outros mais belos. Perdi os sapatos, perdi as chaves, perdi a hora, perdi um pouco de mim, dei um pouco de mim, dei muito. Me perdi nas noites, nas mesas dos bares, nas conversas bobas, me perdi nas risadas, nas lágrimas, nas bocas, nos copos, nos corpos. Vivi tanto. Vivi tudo que a vida me deu, sem reservas. Porque eu não sou pela metade, eu sou inteira em tudo que vivo, em tudo que dou. Eu não temo ser assim, mais amor, mais alma, mais corpo, menos razão. Mas agora, meu amor, minha alma, meu corpo pede calma, pede abrigo.
Eu quero um canto pra repousar o meu amor, pra chorar as minhas dores em paz. Deixar de ser, pra que não seja pela metade. Se for pra ser que seja intenso, inteiro. E agora eu prefiro que não seja.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

É mentira dizer que não sinto saudade, é mentira e pura hipocrisia falar que você não visita meus pensamentos e que vez ou outra me dói lembrar de você. É, você ainda me dói pequena. Mas depois de tantas dores, de tantos amores podres, aprendi a me esquivar da dor, nem sempre funciona, mas é o que faço. Me esquivo dessa dor, por que não vale a pena senti-la, não mais, não agora. Antes de você arrumar as malas eu estava completamente disposta a sentir todas as dores, a sangrar, eu sangrei, eu acreditava que valeria a pena, eu acreditava que você voltaria, eu acreditava que te esperaria. Eu acreditava em nós, mesmo quando você, pequena, deixou de acreditar.

Todas as noites eu te esperava no quarto, eu sabia quando você chegava, eu já conhecia o barulho dos seus sapatos. Todas as noites eu acreditava que você chegaria e voltaria pra mim, mas você só voltava pra casa pequena, eu não era mais o seu abrigo. E todas as noites eu morria um pouco, e eu achava que a dor fazia meu amor crescer, mas não pequena, não fazia, eu não percebia, mas meu amor minguava.

Eu verdadeiramente acreditava que te esperaria. Acreditava que minhas portas estariam abertas só a sua espera. Mas acontece que essa vida é um emaranhado de teias que nos prendem e nos pegam pelas pernas. E aí, eu não te esperei mais. Minhas portas continuaram abertas, abertas pra novas teias.

Você pequena, me fez sonhar muito, me fez acreditar muito no amor como ele é e como ele pode ser. Eu te amei sem reservas, por que pra mim não existe meio amor, não existe metade. E sabe, eu lhe desejo sorte, eu me desejo paz. Nos desejo amor, vida. E essa dor, ah essa dor que vez em quando desponta, é bobeira falar que não vale a pena, de todo amor nos resta sempre uma dor, a prova de que ele existiu. Todos os meus amores me doem. Você me dói e me doerá, mas é um dor sem espera, uma dor que não passa disso, que não se expande que simplesmente se acomoda, se aloja e fica cá dentro. Você está cá dentro, te guardarei sempre num bom lugar, aqui, cá dentro de mim.

terça-feira, 7 de junho de 2011

“Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra.”

Caio F.

Não eu não sei explicar, eu não quero explicar, eu não quero ter que, não quero explicações. Só quero ficar perto, bem perto, me fundir. Sentir essa coisa boa boba juvenil vital, que há tanto não sentia. Pouco me importa as línguas, poderia me importar, talvez devesse, mas não vou. Eu só quero sentir, sem planos, sem pedir nada, absolutamente nada em troca. Eu não quero nada de você, eu só quero você, desse jeito, assim por perto, de peito aberto, alma limpa, cuca fresca, sem frescuras.

Não quero esperar nada de você e, por favor, não espere de mim, mas sonha comigo, divide isso comigo, me deixa ser um pouco você, um pouco sua e seja pra mim. Sejamos. Sem expectativas, sem grilos meu bem. Sejamos um pro outro, sem medos! Que seja qualquer coisa, mas que seja assim, bom, puro, limpo, que apenas seja.